Sobre a Deficiência Intelectual

O conceito de Deficiência intelectual, passou no decorrer dos anos por diversas definições e terminologias para caracterizá-la, tais como: Oligofrenia, Retardo mental, Atraso mental, Deficiência mental etc. De acordo com KRYNSKI, S. et. al (1983), esse tipo de deficiência é um vasto complexo de quadros clínicos, produzidos por várias etiologias e que se caracteriza pelo desenvolvimento intelectual insuficiente, em termos globais ou específicos.

Segundo a Associação Americana de Deficiência Mental (AAMR) e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), Deficiência Intelectual ou Deficiência Mental (DM – como não é mais chamada) é o estado de redução notável do funcionamento intelectual, significativamente abaixo da média, oriundo no período de desenvolvimento, e associado à limitações de pelo menos dois aspectos do funcionamento adaptativo ou da capacidade do indivíduo em responder adequadamente às demandas da sociedade em comunicação, cuidados pessoais, competências domésticas, habilidades sociais, utilização dos recursos comunitários, autonomia, saúde e segurança, aptidões escolares, lazer e trabalho.

A deficiência intelectual se caracteriza também por um quociente de inteligência (QI) inferior a 70, média apresentada pela população. Esta é uma nova classificação e tem importantes implicações para o sistema de prestação de serviços para pessoas com esse tipo de deficiência. A maneira anterior de classificação fazia referência aos elementos diagnósticos da deficiência mental. Assim, a utilização de um único código de diagnóstico de deficiência mental se afasta da conceituação prévia amplamente baseada no QI, que estabelecia as categorias de leve, médio, severo e profundo.

Deste modo a pessoa era diagnosticada como deficiente mental ou não, com base no comprometimento dos três critérios de: idade de instalação, habilidades intelectuais significativamente inferiores à média, limitações em duas ou mais das dez áreas de habilidades adaptativas estabelecidas.

Números

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) 10% da população em países em desenvolvimento, são portadores de algum tipo de deficiência, sendo que metade destes são pessoas com deficiência intelectual. No Brasil, segundo censo 2000, foram identificados 2.844.936 casos de deficiência intelectual, sendo 1.545.462 homens e 1.299.474 mulheres.

Representando 8,3% das deficiências encontradas em toda a população nacional. O censo indica ainda que há um número maior de deficiências do que de deficientes, uma vez que as pessoas incluídas em mais de um tipo de deficiência foram contadas apenas uma vez. O número de pessoas que apresentam mais de uma deficiência no Brasil é de quase 10 milhões.

Diagnóstico

Na maioria dos casos o diagnóstico é feito baseado no atraso no desenvolvimento neuro-psicomotor (a criança demora em firmar a cabeça, sentar, andar, falar) e na dificuldade no aprendizado (dificuldade de compreensão de normas e ordens, dificuldade no aprendizado escolar), mas existem ou critérios para o diagnóstico da DM como:

– Funcionamento intelectual significativamente inferior à média;
– Déficits ou prejuízos concomitantes no funcionamento adaptativo atual;
– Início no período de desenvolvimento até os 18 anos;
– Diversidades culturais e linguísticas, assim como as diferenciadas formas de comunicação e comportamentos;
– Limitações nas áreas adaptativas de acordo com as exigências de cada meio, idade e necessidade de suportes individualizados;
– Capacidades específicas sempre coexistem com outras habilidades adaptativas.

É preciso que haja uma série de sinais associados para que se suspeite de deficiência mental. Um único aspecto não pode ser considerado como indicativo de qualquer deficiência. O diagnóstico da deficiência intelectual deve ser feito por uma equipe multiprofissional, composta de pelo menos um assistente social, um médico e um psicólogo.

Causas e fatores de risco

Muitas são as causas e os fatores de risco que podem levar à instalação da deficiência mental. Põem muitas vezes, mesmo utilizando sofisticados recursos diagnósticos, não se chega a definir com clareza a etiologia (causa) da deficiência intelectual.

Síndromes

Inclui-se também nas deficiências mentais algumas síndromes como:
– Sindrome de Down
– Síndrome de Angelman
– Síndrome de Rubinstein-Taybi
– Síndrome de Lennox-Gastaut
– Esclerose Tuberosa

Fonte: Wikiducação – construção coletiva de conhecimento

A tecnologia e os avanços da ciência tornaram possível diagnosticar antecipadamente alguns tipos de deficiência intelectual. Os cuidados básicos também não devem ser esquecidos, tais como:

– Teste do Pezinho: é o mais comum deles, e hoje é obrigatório no Brasil. O teste consiste na coleta de algumas gotas de sangue, extraídas do pé do recém-nascido, e diagnostica algumas doenças que causam essa deficiência, tornando possível seu tratamento precoce e, possibilitando maior de vida para o indivíduo. Mas apesar de muito eficiente, o teste do pezinho não faz diagnóstico de algumas causas de deficiência intelectual, como por exemplo a Síndrome de Down, como pensam algumas pessoas.

– Orientações técnicas: é imprescindível que médicos ou especialistas localizem nos familiares de seus pacientes casos de deficiência intelectual na família, já que 48% das ocorrências vêm da

– Cuidados pré-natais: o cuidado à gestação deve ser levado muito a sério. É nesse período que infecções ou problemas maternos precisam ser identificados e devidamente tratados para não atingir o futuro bebe. Casamentos entre parentes e gestação em idade avançada também podem ser causa dessa deficiência.

– Hábitos saudáveis: uma gravidez livre de drogas, com a prática exercícios e alimentação saudável, são essenciais para o desenvolvimento perfeito do bebê.

Mesmo com todos os cuidados, o nascimento de um bebê com DI é comum, e deve ser tratado como tal. Os obstáculos gerados pelas limitações que um deficiente intelectual apresenta são muitos, pois nossa sociedade ainda apresenta resistência quanto a inclusão de pessoas com deficiência intelectual na maioria dos  recursos de nossa sociedade, especialmente  nas escolas e no mercado de trabalho. Porém, diariamente essas pessoas demonstram que são capazes, sim, de levar uma vida saudável, digna e produtiva. Podem contribuir, como qualquer outro cidadão, para a construção de uma sociedade mais humana e mais feliz. Neste sentido, a luta por uma sociedade inclusiva deve ser uma prática no dia-a-dia de cada um de nós.

Fonte: Caminhando – Núcleo de Educação e Ação Social

Esta cartilha foi elaborada em linguagem de fácil leitura e compreensão, como instrumento para prover as pessoas com deficiência e seus familiares de esclarecimento acerca dos seus direitos, para o verdadeiro exercício da cidadania.

Manual dos Direitos da Pessoa com Deficiência Intelectual (.pdf)